Leituras:
1ª - Ex 20, 1-17 ou Ex 20, 1-3. 7-8. 12-17
Salmo - 18, 8. 9. 10. 11
2ª - 1 Cor 1, 22-25
Evangelho - Jo 2, 13-25
Comentário feito pelo padre Alberto Vieira, MCCJ: Destruí este templo e em três dias o levantarei!
Neste terceiro domingo quaresmal o Evangelho apresenta-nos o episódio da expulsão dos vendilhões do Templo. É um texto famoso e bem conhecido pela dimensão profética de revolta e purificação.
O Templo era para os Judeus o lugar mais sagrado. Era a residência de Deus e onde Ele se revelava e manifestava ao seu povo. Por isso todo o judeu piedoso, pelo menos uma vez na vida, devia visitar o Templo e aí oferecer sacrifícios.
No passado domingo na primeira leitura ouvimos o sacrifício de Abraão. Este estava para imolar o único filho. No entanto Deus não aceitou sacrifícios humanos. Agiu pela voz e mão do Anjo e Abraão terminou oferecendo um carneiro (cfr Gen.22). Hoje Jesus vem dizer que nenhum sacrifício é mais agradável ao Pai do que o coração e a vida renovados. É a meta do nosso caminho quaresmal rumo à Páscoa
O sinal que Jesus hoje faz no Evangelho de João visa preparar a todos, discípulos e adversários, para o mistério da sua morte e, mais ainda, da sua ressurreição.
É neste contexto que devemos compreender a polémica dos judeus com Jesus sobre a construção do Tempo em 46 anos, diziam eles, ou em três dias, como dizia Jesus. Eles diziam, e bem, que “demorou 46 anos a construir” e Jesus diz: “destruí este templo e em três dias o levantarei”. (Jo. 2,13-25)
A morte de Jesus, e sobretudo a sua ressurreição, inaugura um tempo novo. Jesus pretende preparar a todos para o mistério da sua morte e ressurreição: “destruí este templo e em três dias o levantarei”. Depois da ressurreição compreenderam, os seus discípulos, que Jesus “falava do templo do seu corpo”. A ressurreição garante a todos que Jesus vem de Deus. Ele é o novo Templo. É n’Ele que encontramos o Pai e a VIDA.
Neste tempo quaresmal o verdadeiro culto que Deus e Cristo espera de cada um de nós é uma vida vivida no serviço, simples e discreto, aos mais pobres e necessitados. Talvez mesmo os muitos filhos da crise económica e financeira que atravessamos. Vamos ser mais solidários neste tempo quaresmal. Vamos meter-nos em caminhos de Páscoa para ter a alegria da ressurreição com Cristo.