Domingo XXIX do Tempo Comum - Ano A
Leituras:
1ª - Is 45, 1. 4-6
Salmo - 95, 1 e 3. 4-5. 7-8. 9-10a.c
2ª - 1 Tes 1, 1-5b
Evangelho - Mt 22, 15-21
Comentário feito pelo Padre Alberto Vieira, MCCJ:
Dai a Deus o que é de Deus!
No passado domingo terminamos as 3 histórias de Jesus: a do filho que disse sim e não cumpriu; a dos assassinos do filho do dono da vinha e a dos convidados que rejeitaram o convite para as bodas do filho.
Agora Jesus vai entrar em discussão com os seus adversários. O tema de hoje é o tributo dado por todos, exceto velhos e crianças, ao Império colonial de Roma.
Os adversários dizem algo essencial da vida de Jesus: “Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas segundo a verdade, o caminho de Deus, sem Te deixares influenciar por ninguém”
Reconhecer quem é Jesus é caminho determinante para a adesão ao projeto do Reino que Jesus inaugurou com a sua morte e ressurreição. “Ele é sincero e ensina a verdade”. Este é o nosso caminho. Voltar ao início exige conversão.
O que é o inicio? É sermos de novo imagem de Deus.
A moeda que mostram a Jesus tinha a imagem de Tibério, o Imperador.
O que significa dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus?
Logo á partida não podemos esquecer que Deus não liberta o homem das suas responsabilidades sociais, pelo contrário, empenha-o. Deus está na origem da sociabilidade humana.
Por outro lado o poder de Deus não entra em concorrência com o humano.
O poder de Deus é dom, amor e serviço; o poder humano é apropriação, violência e domínio.
Olhemos rapidamente para a história de hoje e os conflitos existentes. Eu olho mais para a África, não só a do norte com as revoluções árabes, mas também para outros países menos conhecidos mas igualmente sofredores: Somália, Sudão, Congo ou aqui o meu vizinho Zimbabué.
Só o que dá a Deus o que é de Deus é capaz de saber o que dar a César.
A moeda tinha a imagem de César.
Ora a humanidade, desde a criação, é imagem de Deus.
“Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus”: Deste modo a humanidade pertence apenas e só a Deus. Por isso deve entregar-se a Deus e reconhecê-l’O como o seu único Senhor. (Gn 1,27).
Não esqueçamos que o paraíso sonhado da nossa Infância é a “polis” (da qual vem política), ou seja a cidade onde se vive relações filiais e fraternas.
Assim a humanidade não pode ser usada ou explorada mas voltar à sua dignidade que é divina.
Porém isto não nos iliba das responsabilidades sociais e da luta pela justiça.
Aqui é fácil ver alguém a ir para a cadeia por corrupção e sobretudo desvios de fundos do estado num país onde o controle é mínimo. O que é triste é que os cristãos não são melhores do que os demais.
Por aí, na nossa terra, espera-nos sempre mais sacrifícios pois a crise está para durar e aumentar pelo que estamos vendo. Mais que crise financeira temos crise de valores e de sonhos de Deus para a humanidade. Temos de voltar ás origens e refazer a imagem de Deus em cada ser humano.
Nós, discípulos de Jesus, temos de encontrar, no Evangelho, a inspiração e a força para viver a solidariedade para com os que injustamente estão sendo sacrificados pelas estratégias diabólicas dos mercados e dos mais poderosos.
A Igreja, hoje como sempre, é luz do mundo que liberta da morte. Temos de ter olhos abertos e não nos unirmos aos César do nosso tempo mas testemunhar e favorecer a liberdade e a verdade na diversidade das pessoas e em espírito de serviço como Jesus.


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